
O time da foto acima é considerado por muitos a maior Seleção Brasileira de todos os tempos. Não vi jogar, óbvio, mas me inclino a concordar com a opinião. Futebol também é história. Basta a nós conhecê-la, portanto, para saber quem foi grande e quem foi miserável no esporte.
O time da foto acima conquistou a primeira Copa do Mundo para o Brasil, no já distante ano de 1958, na Suécia. Da esquerda para direita, começando pelos em pé: Djalma Santos, Zito, Bellini, Nilton Santos, Orlando e Gilmar. Os agachados: Garrincha, Didi, Pelé, Vavá e Zagallo.
O time da foto acima revelou ao mundo Pelé, um franzino garoto de 17 anos. Edson Arantes do Nascimento encantou os suecos com sua ginga, seus dribles velozes e seu chute seco e inapelável. E mais: com seu gol mágico na semifinal contra Gales, seu primeiro gol em Copas. Seu primeiro golaço em Copas.
E, neste ano, 2008, o time da foto acima completa 50 anos. Meio século da conquista que alçou um país condenado ao fracasso, à pobreza e a todo o resto de ruindade a um patamar paradisíaco por causa do futebol. Hoje, o Brasil é pentacampeão do mundo. O futebol brasileiro é grife.
Pelé, 50 anos depois, também se tornou grife. Hoje anda de terno e gravata e é homem de negócios. Em 1998, há dez anos, portanto, quando Edson Arantes do Nascimento era ministro extraordinário do Esporte, foi promulgada a Lei 9.615, chamada de Lei Pelé, que extinguia o passe no futebol brasileiro. Os jogadores deixariam de ser “escravos” do clube. Antes da lei, mesmo com o fim do contrato, o jogador ainda pertencia ao clube. Mas a Lei Pelé gerou controvérsia, é claro. E, dez anos depois, ficou notório que ela tinha furos. Tantos furos que teve que ser reformulada. Tornou-se uma lei que privilegiou o jogador da exceção, o craque, que nunca vai ficar sem clube. Privilegiou os “pelés”. Hoje, também, os jogadores deixam seus clubes de origem muito mais cedo. Os clubes acabam os vendendo com medo de perdê-los com o fim do contrato e tendo que entregá-los de graça, sem ganhar um tostão. Que foi o que aconteceu com Ronaldinho, o do Grêmio, em 2000. O craque gaúcho deixou o Olímpico ao fim do contrato, que o próprio fez questão de não renovar, amparado na nova lei e não rendeu quase nada aos cofres tricolores.
Se um jogador, hoje no Brasil, fizesse, com 17 anos em uma Copa do Mundo, o que Pelé fizera na de 1958, provavelmente nem voltasse para seu clube aqui em terras tupiniquins. Mas, na época, Pelé não só voltou como jogou quase duas décadas no Santos, de São Paulo, antes de ir atuar e ganhar muito bem em gramados estrangeiros.
O time da foto acima jogava em uma época diferente, em que todos esses craques, essas legendas do futebol atuavam no Brasil, em plena forma, no auge de suas carreiras. O time da foto acima tinha um jovem que ajudou, e muito, a colocar o Brasil no cenário do esporte mundial. Mas que agora, não tão inocente, auxilia os hoje jovens a se colocarem no cenário do esporte mundial, bem longe do Brasil. Fiquem com o jovem do time da foto acima. É melhor.
Links afins:
Pelé vai ganhar com venda de atletas http://www1.folha.uol.com.br/fsp/esporte/fk2303200802.htm
Grandes de São Paulo terceirizam 28% de seus jogadores http://www1.folha.uol.com.br/folha/esporte/ult92u385750.shtml
Futebol nos tribunais http://www.sapesp.com.br/internas.php?noticias=374&interna=5424
O fim da "lei do passe" e seus efeitos http://www.partes.com.br/ed14/esportes.asp
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